O Cinema de Terror em 2014


Terminado o Festival de Sundance, ficam alinhados muitos dos filmes de terror e áreas adjacentes que nos ocuparão durante os próximos meses. Grande parte deles não vamos ver, por cá, em exibição comercial, enquanto alguns, talvez, façam parte dos próximos MOTELx ou Fantasporto. Como sempre, vamos ter de viajar ou de rebuscar para os encontrar e fazer figas para que fiquem, brevemente, disponíveis em DVD, Blu-ray ou video on demand (VOD). A lista que se segue inclui alguns dos filmes que mais aguardamos e esperamos visionar até ao final do ano. Salvo indicação em contrário, as datas de estreia mencionadas referem-se ao mercado norte-americano.























The Sacrament (Ti West, 2013)



Entre os filmes a estrear em 2014, The Sacrament é o que desperta mais interesse e será, certamente, um dos acontecimentos do ano. A história, inspirada no massacre de Jonestown (Guiana), anda em torno de uma equipa de filmagens que é apanhada no meio do suicídio colectivo de uma seita religiosa. Em modo slow-burning, Ti West (Trigger Man, The House of the Devil, The Innkeepers) reanima um formato gasto, o found footage, tendo recebido fortes aplausos da crítica especializada norte-americana, aquando da sua passagem pelos festivais de cinema. The Sacrament é produzido por Eli Roth e conta com a participação de actores habituais de projectos de Ti West e de Adam Wingard: Joe Swanberg, AJ Bowen, Kentucker Audley e Amy Seimetz. O lançamento no mercado americano está marcado para 5 de Maio, em VOD, e 6 de Junho, em sala.





The Guest (Adam Wingard, 2014)



Como tem sucedido regularmente, Simon Barrett escreveu e Adam Wingard realizou. O anterior, You're Next, esteve na prateleira durante dois anos, por questões relacionadas com a fusão do estúdio que o produziu, e teve uma única apresentação em Portugal, no MOTELx. Quanto a The Guest, estreou há dias no Festival de Sundance, dando a Wingard a terceira presença em Park City, Utah. Segundo o enviado da Indiewire: The film is embedded with subtle stylistic cues—an excellent, Carpenter-indebted synth score and its setting in a nebulous '80s/'90s/modern time period you can’t quite place—that teach you how to watch and appreciate it. The ensemble is perfectly cast (a rarity for this genre) which helps to make the first half a delightful slow burn instead of a check-your-watch-until-the-carnage-starts. If it’s a slight disappointment that the third act tosses those relationships aside for some logic-free, over-the-top bloodletting, it’s probably a sacrifice most hungry genre audiences are willing to make for such a fun ride.

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Cold in July (Jim Mickle, 2014)



Em Janeiro, Cold in July estreou em Park City e a IFC Films adquiriu os direitos de distribuição para a América do Norte, anunciando o lançamento em sala e VOD para o próximo Verão.  É o regresso ao cinema de Michael C. Hall - enterrada a série televisiva Dexter -, Don Johnson e Sam Shepard. Jim Mickle, que, a propósito de Stake Land, alguém lhe chamou "Terrence Malick do cinema de terror", continua a recolher louvores, neste caso da revista e site Fangoria: The director is clearly becoming a staple of Americana-infused genre. Stake Land put his own spin on an open road movie, while We Are What We Are considered the nature of American tradition and when to cut it off. Cold in July considers all sides of American masculinity in an almost 70s cinema fashion, but thanks to Jeff Grace’s outstanding score, the atmosphere eventually lands Peckinpah-in the-80s.

All Cheerleaders Die (Lucky McKee, Chris Sivertson, 2013



All Cheerleaders Die é um remake da curta metragem que Lucky McKee (May, The Woman) e Chris Sivertson realizaram em 2001. Estreado no TIFF 2013, Toronto, conta uma história de vingança de adolescentes atravessada pelo sobrenatural e chega anunciado como uma revisitação do entretenimento selvagem dos primeiros filmes de Sam Raimi e Peter Jackson. Não é que Lucky McKee necessite de muletas, mas... All Cheerleaders Die dividiu opiniões e, sem a publicidade gratuita das críticas (injustas) de misoginia dirigidas ao magnifico The Woman e os desacatos provocados por espectadores a acompanharem a sua exibição no Festival de Sundance de 2011, continua a aguardar distribuidor e data de estreia.





Grand Piano (Eugenio Mira, 2013)



A seguir a Maniac (Franck Khalfoun, 2012), apresentado no MOTELx, em Setembro, Elijah Wood embarca num outro filme de terror  - ou será antes um thriller? -, para se demarcar da personagem Frodo Baggins de The Lord of the RingsGrand Piano é realizado por Eugenio Mira - realizador, argumentista, compositor e actor espanhol -  e nele Wood representa um pianista talentoso que, após uma paragem de cinco anos, regressa à actividade, num concerto em que um atirador anónimo (John Cusack)  ameaça matá-lo se cometer algum erro durante a interpretação da obra. A propósito do filme, a Indiewire falou de um dispositivo que lembra Brian De Palma. Uma das grandes surpresas do último Fantastic Fest, fixou a estreia para 30 de Janeiro, em VOD, e 7 de Março, em sala, nos Estados Unidos.




Ahí va el diablo (Adrián García Bogliano, 2012)



Conhecemos Adrián García Bogliano na óptima comédia negra Penumbra, dirigida a meias com o irmão Ramiro García Bogliano. Já tem pronto Late Phases, que segue para o próximo South by Southwest (Austin), mas antes vamos ver Ahí va el diablo, realizado no México e lançado a 13 de Dezembro nos Estados Unidos com o nome de Here Comes the Devil. O indie contemporâneo, com toques de terror psicológico da década 70, a compor a narrativa de um casal que lida com os horrores que os filhos transportam, quando desaparecem, durante a noite, numa caverna dentro de uma montanha. O cartaz lembra Rosemary's Baby (1968) de Roman Polanski.

























Snowpiercer (Bong Joon-ho, 2013)



O grande orçamento, o elenco internacional e os sofisticados efeitos especiais fazem Snowpiercer parecer um verdadeiro blockbuster de ficção cientifica. É realizado pelo mestre coreano, Bong Joon-ho, que com The Host (Gwoemul) conseguiu a proeza, invulgar para uma obra de cinema, muito mais, tratando-se de um filme de terror, de ser capa da revista Artforum. Snowpiercer foi um enorme sucesso de bilheteira na Coreia, mas isso não impediu Harvey "Scissorhands" Weinstein, detentor dos direitos de distribuição para a América do Norte, de pedir a Bong Joon-ho para cortar vinte minutos na versão americana - pelo que esta será de evitar. Como nota a revista Torso: Les grandes qualités du film, tout autant que ses limites, résident dans le fait qu’au fond, on pouvait s’attendre à ce qu’on allait voir : de la SF à la fois grand public et intelligente, à la mise en scène calibrée pour les multiplexes mais d’une grâce dont on sait le réalisateur capable. Un équilibre qui n’impressionne plus vraiment grand-monde de la génération des Spider Man de Sam Raimi, mais qui parvient à surprendre tout de même. L’idée d’une grande forme offerte à tous mais respectueuse de chacun, pas seulement prompte à respecter à la lettre les horizons d’attente des uns et des autres. Tout l’enjeu de Snowpiercer réside dans cet équilibre, entre grand divertissement populaire et exigence de la forme, entre une multiplicité des niveaux de lecture et limpidité du récit. Et on constate dès la première séquence que l’exercice est réussi, largement.




Horns (Alexandre Aja, 2013)



Daniel "Harry Potter" Radcliffe a querer crescer, com a ajuda de Alexandre Aja. O sangrento Haute tension foi a estreia excelente de Aja, ainda em França, e o mote para o nascimento de uma vaga local de criadores de cinema de terror, que, a partir de um particular contexto politico e social,  reinventaram a memória do cinema de terror americano. Mudou-se para os Estados Unidos, onde assinou uma carreira irregular (The Hills Have Eyes, Mirrors, Piranha 3D), com alguns títulos desapontantes. Em Horns, adaptação de um romance de Joe Hill, Daniel Radcliffe interpreta um vingador que, quando a namorada é violada e morta, acorda com chifres e poderes demoníacos. 





















Oculus (Mike Flanagan, 2013)



Com um orçamento mínimo, filmado com uma câmara fotográfica barata HDSLR, a Canon EOS 5D Mark II, Absentia chamou a atenção do mercado norte-americano para Mike Flanagan, ao ser distribuído em VOD e DVD. Oculus retoma uma curta metragem de Mike Flanagan, Oculus: The Man With the Plan, e tem estreia prevista para 11 de Abril. Cinema assustador, que não cede à facilidade dos efeitos especiais digitais. No site Bloody Disgusting pode ler-se: It’s great to see more and more filmmakers resisting the use of CGI which has destroyed countless of supernatural horror films. Like Insidious, the ghosts here are played by actors. Any use of visual effects is kept invisible. Mike Flanagan has taken a huge leap to the forefront of today’s genre filmmakers. He proves that with imagination and care for the craft, originality can still happen when telling a familiar tale. The experience of watching Oculus is that of being caught in an unrelenting nightmare you just can’t wake up from. The best horror film I’ve seen in some time.





The Green Inferno (Eli Roth, 2013)



Eli Roth não dirige uma longa metragem desde Hostel: Part II, em 2007. Entre algumas aparições como actor, tem-se dedicado à produção para cinema e televisão. Em 2013, deu-nos bons exemplos com a série da Netflix, Hemlock Grove, e o filme de Nicolás López, Aftershock. Com The Green Inferno, partilhando parte da equipa técnica e de actores de Aftershock, na América do Sul, Eli Roth acompanha-nos num regresso ao mito das florestas infestadas de canibais, celebrizadas por Ruggero Deodato e Umberto Lenzi (Ultimo mondo cannibale, Cannibal Holocaust e Cannibal ferox), na passagem da década de 1970 para a de 1980, onde não faltam doses generosas de gore e humor e uma paixão contagiante pelo universo obscuro do cinema de série Z. Estreia a 5 de Setembro.
























Why Don't You Play in Hell? (Sono Sion, 2013)



Why Don't You Play in Hell? (Jigoku de naze waruié), regresso de Sono Sion (Suicide Club, Cold Fish, Guilty of Romance), estreou no Festival de Veneza de 2013 e dele retivemos imagens que sugeriam uma mistura de comédia com violência. A anarquia da história perder-se-á numa exposição de poucas palavras: o conflito entre um bando de realizadores amadores e um Yakuza envolvido num processo de vingança. De acordo com a revista Torso: Le choix de la comédie pour enrober cette histoire relève du même geste. Hystériser les situations, les rendre cinématographiques, parce qu’elles ne seront capitales qu’à partir du moment où elles seront dignes d’être regardées. Si l’on rit beaucoup dans Why Don’t You Play In Hell ?, c’est qu’aucune situation sublime ne mérite qu’on la pleure. Tout geste pensé ou formé dans une idée d’absolu de ce geste n’en fera jamais qu’un geste positif, hilarant. Ce n’est plus le rire en contrepoints de Love Exposure ou le rire désespéré de Hazard, c’est la posture hilarante de tout acte produit pour la beauté de celui-ci.

























A Field in England (Ben Wheatley, 2013)



Martin Scorcese viu e teceu louvores à invulgar originalidade e experiência cinematográfica. Se tivermos em conta os vibrantes posters coloridos difundidos ao longo dos últimos meses - inspirados na elegância dos posters polacos da década de 60 e que contrastam com o preto e branco do filme -, temos motivos para acreditar. A Field in England foi lançado, no Reino Unido, em Julho de 2013, simultaneamente em sala, televisão, DVD e VOD, numa abordagem inovadora que pretendia abranger todas as plataformas de divulgação disponíveis. Inspirado por histórias de feitiçaria e do oculto, com uma longa tradição na cultura popular inglesa, Ben Wheatley (Down Terrace, Kill List e Sightseers) dirige um alucinado drama histórico com toques de psicadelia. No mercado americano foi lançado, de um modo menos ambicioso, a 7 de Fevereiro, tanto em VOD como em sala.





The Human Centipede 3 (Final Sequence) (Tom Six, 2014)



The Human Centipede 3 (Final Sequence) poderá ser o filme-choque do ano. Sendo parte do imaginário popular contemporâneo, a narrativa é sobejamente conhecida, celebrizada pelos problemas com a censura em vários países e por uma divertidíssima paródia num dos episódios de South Park (ver link abaixo): a construção de uma centopeia humana ligando várias pessoas, através do ânus e da boca. Repulsivo, desagradável, doente e nojento foram alguns dos mimos usados para classificar os dois tomos anteriores e, por arrasto, o seu realizador, Tom Six. O número de cobaias humanas usadas na centopeia tem vindo a aumentar: três no primeiro filme e doze no segundo. No ponto final da trilogia, Tom Six promete criar, no ambiente de uma prisão, uma enorme centopeia humana formada por mais de quinhentas pessoas. Regressam Dieter Laser e Laurence R. Harvey, os anteriores mentores desta criação diabólica, acompanhados pelo estreante Eric Roberts, para renovar uma radicalidade perturbante, que o espalhafato mediático teima em esconder.




Entre os outros filmes com estreia prevista até ao final do ano, para além dos festivais, embora de alguns se conheçam poucos detalhes quanto à distribuição, destacam-se: Maps to the Stars (David Cronenberg), Big Eyes (Tim Burton), Exists (Eduardo Sanchez), 13 Sins (Daniel Stamm), Among The Living (Julien Maury, Alexandre Bustillo), Home (Nicholas McCarthy), Honeymoon (Leigh Janiak), Late Phases (Adrián García Bogliano), Stage Fright (Jerome Sable), Starry Eyes (Dennis Widmyer, Kevin Kolsch), Big Bad Wolves (Navot Papushado, Aharon Kettles), The Raid 2: Berandal (Gareth Evans), Tusk (Kevin Smith), Kuime (Takashi Miike), Riaru: Kanzen naru kubinagaryû no hi (Real, Kiyoshi Kurosawa), Wolf Creek 2 (Greg McLean) e Deliver Us from Evil (Scott Derrickson).



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