Ser do cinema ou pelo cinema







































Este é mais um episódio protagonizado pelos senhores que se entendem donos do cinema em Portugal, neste caso o produtor e distribuidor Paulo Branco, proprietário da Leopardo Filmes, que num dia convoca a comunicação social para acusar as grandes distribuidoras detentoras dos direitos de filmes internacionais de lhe exigirem condições inadmissíveis, insustentáveis e contra as regras de mercado (aqui), e no outro impede a Cinemateca Portuguesa de cumprir a missão de promover o conhecimento da história do cinema e o desenvolvimento da cultura cinematográfica e audiovisual, obrigando-a a cancelar sessões com títulos de Ingmar Bergman e Roberto Rossellini, dos quais detém os direitos para o território nacional, com o argumento de se verificar um contexto de exploração comercial dos filmes (aqui). A Cinemateca Portuguesa fez o que pôde, comunicados para justificar o cancelamento das exibições, mas de Paulo Branco não houve o cuidado de convidar a horda de jornalistas que acompanha, dedicadamente, qualquer sobressalto na sua actividade e explicar melhor a sua posição aos amantes do cinema que contribuem financeiramente para a manutenção do seu negócio de distribuição. O nome dos títulos cancelados não é pormenor de menos importância, pois um deles é Roma città aperta (Roma, Cidade Aberta, 1945), monumento à resistência e à liberdade que gerou uma ligação simbólica a Portugal (aqui), ao ser exibido no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, meses antes do 25 de Abril de 1974, na presença de Roberto Rossellini e Henri Langlois, que confidenciou, em tom premonitório, a João Bénard da Costa que o país podia ser assim ou assado, mas dentro de bem pouco tempo muitas coisas se iriam passar aqui. O último episódio negro criado por Paulo Branco - produtor a quem o cinema português deve muito, o que não desculpa este tipo de acção - manteve-se discreto e tem alimentado algumas discussões nas redes sociais, mas vem agora melhor detalhado num artigo de rescaldo do IndieLisboa 2014, do qual faziam parte as sessões canceladas na Cinemateca, publicado no site À Pala de Walsh, em palavras da autoria de Luís Mendonça (aqui). Do texto importa reter a seguinte reflexão: pergunto como pode haver democracia, nomeadamente pensamento crítico, se programar cinema deixa de ser um acto de liberdade para passar a ser um gesto condicionado por interesses completamente estranhos.


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Mario Bava: Correlações #6


Na sua página do Facebook, numa longa série em andamento, Michał Popławski estabelece ligações entre a vasta obra de Mario Bava, repartida por trabalhos de realização, director de fotografia, operador de câmara e desenho de luz e efeitos especiais, não esquecendo muitos títulos em que não surge mencionado na ficha técnica. São corpos, objectos e espaços recortados por um jogo contrastado de luz e saturado de cor, que se repetem em imagens com a mesma assinatura mas que são convocados para outras histórias. A partir das correlações de Michał Popławski, a quem agradecemos por ter respondido afirmativamente ao nosso pedido, fizemos a selecção e a nova organização que publicamos no there's something out there.




















Nesta sexta correlação, as imagens pertencem, por ordem de entrada, a Ercole e la regina di Lidia (Hercules Unchained, Pietro Francisci, 1959),  Il ladro di Bagdad (The Thief of Baghdad, Arthur Lubin, Bruno Vailati, 1961)Ercole e la regina di Lidia e Il ladro di Bagdad.


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Theater


Around the time I started photographing at the Natural History Museum, one evening I had a near-hallucinatory vision. The question-and-answer session that led up to this vision went something like this: Suppose you shoot a whole movie in a single frame? And the answer: You get a shining screen. Immediately I sprang into action, experimenting toward realizing this vision. Dressed up as a tourist, I walked into a cheap cinema in the East Village with a large-format camera. As soon as the movie started, I fixed the shutter at a wide-open aperture, and two hours later when the movie finished, I clicked the shutter closed. That evening, I developed the film, and the vision exploded behind my eyes.

Hiroshi Sugimoto





























Hiroshi Sugimoto, imagem da série Theaters




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