Gritos en la noche (The Awful Dr. Orlof)





















Gritos en la noche (The Awful Dr. Orlof, Jess Franco, 1961)



Depois de ver The Brides of Dracula (Terence Fisher, 1960) da Hammer, Jess Franco propõe aos produtores franceses Marius e Daniel Lesoeur do estúdio Eurociné a realização de um filme de terror, que sob a máscara da fantasia pudesse testar os limites da censura. O resultado é Gritos en la noche (The Awful Dr. Orlof, 1961), para o qual também escreveu o argumento. Nele, o Dr. Orlof (Howard Vernon), com a ajuda do assistente cego Morpho (Ricardo Valle), rapta jovens cantoras, de quem retira a pele para restaurar a face desfigurada da filha Melissa (Diana Lorys). Se em Gritos en la noche, é notória a influência dos filmes de monstros da Universal, o filme não se limita a olhar para o passado, introduzindo uma nova abordagem da sexualidade e da perversidade. É famosa a cena em que Morpho, destapa e apalpa os seios de um duplo da actriz principal (Diana Lorys a interpretar dois papéis), quando a tenta segurar, que apenas está presente numa versão destinada ao mercado francês, considerado mais permissivo. Igualmente inesquecível é a crueldade de Morpho que, à dentada, imobiliza as vítimas. A banda sonora vanguardista de Jose Pagan e Antonio Ramirez Angel e a fotografia de Godofredo Pacheco devedora do expressionismo alemão, completam o clima de mistério e a atmosfera onírica, lançando os pilares sólidos do futuro cinema de Franco.

























Les yeux sans visage (Georges Franju, 1960)



The Dark Eyes Of London (1924) de Edgar Wallace e Les yeux sans visage (1960) de Georges Franju são obras com pontos relevantes em comum com Gritos en la noche. Na novela de Wallace, um médico executa crimes com a ajuda de um cego. Em Les yeux sans visage, Franju conta a história de um médico que recorre à pele de jovens para recuperar a face da filha. O Dr. Orlof seria revisitado ou sugerido em várias obras posteriores de Franco: El secreto del Dr. Orloff (1964), Miss Muerte (1965), Los ojos siniestros del doctor Orloff (1973) e El siniestro doctor Orloff (1982). Na década de 1980, com Faceless (Les prédateurs de la nuit, 1987), Franco realiza uma actualização luxuosa da história com a ajuda de um elenco internacional, incluindo a fabulosa Brigitte Lahaie, mas as personagens adquirem outros nomes. O Dr. Orloff é uma personagem bastante secundária, interpretada pelo mesmo Howard Vernon. A irmã do médico tem o nome de Ingrid e Melissa passa a chamar-se uma das vítimas. O nome Morpho seria utilizado em outras obras, mesmo que desligadas de Orlof e quase sempre como assistente da personagem principal. Veja-se o caso de Vampyros Lesbos (1970) e La comtesse noire (Female Vampire, 1973), em que é o colaborador da vampira (Soledad Miranda e Lina Romay, respectivamente). Em 1964, Gritos en la noche seria lançado nos Estados Unidos, com o nome de The Awful Dr. Orlof e em conjunto com L'Orribile segreto del Dr. Hichcock (1962) de Riccardo Freda, mas foi um insucesso critico e Jess Franco ganhou o título de Jess The Awful Dr. Orlof Franco.




















Gritos en la noche (The Awful Dr. Orlof, Jess Franco, 1961)



No que diz respeito à disponibilidade de Gritos en la noche no mercado, existem várias ofertas - com destaque para a da Ragia Films, que inclui as versões espanhola (90 min) e internacional (80 min) - mas a nossa preferência vai para uma próxima edição que se espera ser a versão definitiva da obra. Em Agosto, a Redemption lança-a em DVD e Blu-ray numa nova masterização em HD a partir de elementos dos arquivos da Eurociné. A versão a usar será a francesa original, com a possibilidade de escolha dos subtítulos ou audio em inglês. Os extras incluem uma das últimas entrevistas filmadas de Jess Franco, dirigida por David Gregory, um novo comentário do indispensável Tim Lucas (director da revista Video Watchdog) e filmagens recentes com as opiniões de amigos e colaboradores de Franco.

A iniciativa Jess Franco: Um Mapa resulta de uma parceria entre os blogues My Two Thousand Movies e there's something out there//

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